quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Papa Francisco declara

"Venerável" Mary Jane Wilson
 

Na manhã deste dia 09 de Outubro de 2013, em Roma, o Papa Francisco aprovou a publicação do decreto que reconhece as virtudes heroicas da irmã Mary Jane Wilson, fundadora da nossa Congregação (Irmãs Franciscanas de Nª Sª das Vitórias).

É com muita alegria e gratidão que a família Vitoriana acolhe esta graça e aguarda, em jubilosa esperança, o passo da sua beatificação.

"A religiosa, filha de pais ingleses, nasceu na Índia, a 3 de outubro de 1840, e morreu em Câmara de Lobos, a 18 de outubro de 1916, após um percurso de vida que a fez converter-se do anglicanismo ao catolicismo, assumindo o nome de irmã Maria de São Francisco.
O reconhecimento das “virtudes heroicas” é uma fase do processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, e permite que, após a verificação de um milagre atribuído à intercessão da irmã Wilson, tenha lugar a sua beatificação, penúltima etapa para a declaração da santidade.
A religiosa recebeu o batismo em França, em 1873, e chegou à Madeira em maio de 1881, como enfermeira de uma doente inglesa.
Após ter-se fixado no Funchal, dedicou-se à catequese das crianças, aos doentes e à educação, tendo instituído diversas obras a favor dos pobres.
A 15 de Janeiro de 1884, com a primeira colaboradora, Amélia Amaro de Sá, fundou a Congregação das irmãs vitorianas.
Em 1907, distinguiu-se pelo apoio às vítimas de uma epidemia de varíola na região sul da Madeira, o que lhe valeu a condecoração ‘Torre e Espada’, foi atribuída pelo rei D. Carlos.
Em outubro de 1910, com a revolução republicana, a congregação foi extinta e a irmã Wilson, depois de presa, foi expulsa para a Inglaterra, acabando por regressar um ano depois à Madeira, onde faleceu, em 1916, no Convento de São Bernardino (Câmara de Lobos).
O processo de canonização teve início na Diocese do Funchal, em 1991".
OC in: site da ecclesia
O Estilo de Deus

Deus tem estilo, quem o diz é o Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma. Mas antes do Papa, já o próprio Jesus o mostrou e Paulo o escreveu e rezou (Fil 2,5-11).
O estilo de Deus é muito próprio, especial. Tem arte e beleza. Mas obedece a uma lógica bem diferente da que nos é habitual, faz ver as coisas ao contrário:
Se pensamos em subir, Ele propõe-nos descer;
Se sonhamos grandezas, Ele fala em pequenez;
Se aspiramos por honras e privilégios, Ele aponta-nos a humildade e o serviço.
Os termos com que o Papa nos fala deste Estilo de Deus são, por si só, ilustrativos, mostram-nos como o próprio Deus percorreu uma escada descendente até atingir a humanidade:
Desceu
             Aproximou-se
                                    Despojou-se
                                                          Esvaziou-se
E descendo esta escada, Jesus apresentou-se no mundo com um estilo desconcertante de fragilidade e pobreza, para nos enriquecer.
Enriquecer como? Com quê, se Ele se fez pobre?! Com a única coisa válida, o amor, a única riqueza de que Ele nunca se despojou:
O amor que faz confiar em Deus Pai, como Ele confiou plenamente;
O amor que não suporta andar carregado e pesado e por isso se despoja de tudo o que impede ou sufoca a liberdade da entrega;
O amor que vê a miséria do irmão e se aproxima, toca, cuida, alivia, salva;
O amor que anuncia a esperança e a vitória.
É este o estilo de Deus, o amor que se faz pequeno, pobre, simples, para nos enriquecer, para nos engrandecer e elevar à sua medida.
Vamos fazer o mesmo percurso neste tempo belo e rico de aproximação de Deus e dos irmãos? Comecemos já.

Irmã Ilda Tomás
Pensamento do dia.

Para refletir.

Bom dia!!

terça-feira, 29 de abril de 2014

POR QUE DEVO SER DIZIMISTA

Por que devo ser dizimista? - Padre Gerson

Por que devo ser dizimista?

Não tenho dúvidas que está é uma pergunta que muitos católicos fazem em meio a tantos apelos feitos pela Igreja para assumirmos este compromisso de fé. Se fossemos procurar na Bíblia, encontraríamos inúmeros versículos que fundamentariam nossa resposta, também se fossemos buscarmos nos documentos e na Tradição da Igreja também perceberíamos que o dízimo não é “algo novo” criado pela Igreja ou mesmo pelos padres das diversas paróquias. O dízimo desde o surgimento do Povo de Deus já era uma prática de nossos Pais, que o diga Abraão, o Pai da Fé (Cf. Gn 14,20b).

Sem querer fazer proselitismo acerca deste tema, nem mesmo convencer o leitor, daquilo que deve ser o compromisso de todo cristão, queríamos aqui refletir acerca dos motivos que nos impelem a sermos dizimistas em nossa comunidade. 

A DOR DA FALTA DE RESPOSTAS

A dor da falta de respostas - Pe. Zezinho

A dor da falta de respostas - Pe. Zezinho

Ouço dizer que cientistas calculam milímetros e centésimos de segundos para criar suas máquinas e concluir suas experiências. Se eles atentam para tais detalhes, deve ser porque a vida depende disso. Não são eles que inventam este tempo. É tempo que já existia sem eles.

Ouço dizer que para que o milagre da vida aconteça neste planeta, a Terra gira com precisão milimétrica, coisa de centésimos de segundo, de tal maneira que, se um dia, ela girasse um segundo mais atrasada as ondas do mar formariam vagalhões a engolir todas as cidades costeiras.

CRIADO POR DEUS

Criado por Deus - Pe. Zezinho, scj

Criado por Deus - Pe. Zezinho, scj

Deus não fabrica lixo, logo, ao me criar, criou um ser importante, que não existia antes e não será nunca mais repetido. Não haverá nunca outra pessoa exatamente como eu, dure o mundo o tempo que durar. Deus não faz clones. Só o ser humano é capaz de tal aberração. Quem não sabe criar, copia, e copia mal!

Quando digo que Deus me criou, parece-me perfeitamente válido, necessário até, que eu coloque o meu ser de indivíduo criado por Deus, como o de um ser privilegiado. Ele podia, no concerto da criação, ter criado tudo o que lhe aprouvesse, menos eu. Se no meio de bilhões e bilhões e bilhões de criaturas Ele escolheu criar também a mim, é porque também tenho um significado no seu projeto e na sua obra. Aqui, ao usar a palavra "eu", nós não estamos sendo nem egoístas e não estamos sendo, neste caso, nem excludentes, nem exclusivistas. 

PERDOA-ME SE EU ORAR ERRADO

Perdoa-me se eu orar errado - Pe. Zezinho

Perdoa-me se eu orar errado - Pe. Zezinho

Oro sem saber orar. Falo contigo, a quem eu nunca vi, cuja voz jamais ouvi e cuja presença às vezes não sinto. A Ti, a quem nós que seguimos Jesus chamamos de Pai. Não entendendo o mistério de um só Deus que é três pessoas eu falo da minha vontade de conhecer-te e de aprender a falar contigo. Nem sempre sei o que dizer, e não sei dizer o que sinto. Meus diálogos contigo padecem do meu limite de não saber conversar com alguém que nunca vi.

Assim sendo, perdoa-me, se eu orar errado; se disser coisas que não correspondem aos fatos, ou se me referir a Ti de maneira errada ou inconveniente. Acontece que não sei como és, não conheço o som da tua voz e vivo da fé que recebi dos meus antepassados, fé que a Igreja me oferece. Não sei crer sozinho. Preciso de outros para desenvolver e expressar a minha fé. Mas os outros também não sabem tudo. Então, cremos e oramos como sabemos e dentro dos nossos limites.

É o meu primeiro pedido: que me ensines a falar contigo. Ainda não sei me dirigir a Ti. Mentiria se dissesse que sei.

Texto: Pe. Zezinho,scj

QUE ENTENDA TEUS SINAIS.- PADRE ZEZINHO


Que eu entenda os teus sinais - Pe. Zezinho, scj

Que eu entenda os teus sinais - Pe. Zezinho, scj

Que falas comigo, eu sei! Que me mandas sinais, eu sei. Eu só não sei ouvir a tua voz, nem ter certeza de que é ela a me falar. Tua voz ainda não soa aos meus ouvidos e eu não sou muito bom em distinguir vozes interiores nem saber se vem do Senhor ou da minha própria imaginação. A imaginação já enganou a muitos crentes que apostaram que era tua voz e não era.

Mas, que me dás sinais, eu sei que dás. Sou eu que, às vezes, não sei decifrá-los. Que te comunicas é certo. O problema sou eu, que nem sempre capto. Se posso pedir, - e sei que posso -, a graça que eu peço é que me ensines a ler os teus sinais e a ouvir as tuas vozes, as verdadeiras. Quero saber distinguir as vozes falsas que, na verdade são desejos meus, disfarçados em revelação.

Ensina-me a distinguir as vozes que me falam ao coração. Eu ainda não sei o que é teu e o que não é; o que é meu e o que não é. Eu ainda gostaria que me respondesses do jeito que eu imagino que responderias. Mas a realidade é outra: és livre. Ensina-me a ouvir o que tens a me falar e não a imaginar que disseste o que eu gostaria que me tivesses dito.

O AUTOR DO UNIVERSO

O autor do Universo - Pe. Zezinho

O autor do Universo - Pe. Zezinho

A Criação é dom gratuito de Deus, mas pode ser lógico. Podemos entendê-la como consequência natural do amor que Deus é (1 Jo 4,8). A tendência da água que não pára de jorrar é transbordar e não conter em si. O amor de Deus não pára de jorrar. É mais do que plausível ver o gigantesco Universo como um ato de transbordamento do amor infinito de Deus, que criou e vai continuar criando, porque o amor é essencialmente criador.

É impossível acreditar em Deus e ao mesmo tempo negar que Ele tenha sido o autor do Universo. Ele até já existiu sem o Universo, muito antes do nascer da primeira luz (Jo 1,1-2). Mas a partir da Criação é impossível imaginar Deus sem pensar na sua Obra. Por isso, o vemos como Pai e Criador. Não é apenas Pai do Filho eterno. É pai de tudo e de todos. Um pai continua pai, mesmo que seu filho morra ou vá embora. Se o filho agisse como não filho, o pai talvez até poderia agir como não pai, mas no caso do Criador, não pode agir como não pai ou não Criador. Vai contra a essência de Deus. Ele é essencialmente Pai e Criado

SEM DEUS NÃO DÁ

Sem Deus não dá - Pe. Zezinho, scj

Sem Deus não dá - Pe. Zezinho, scj

A ovelhinha desgarrou-se do rebanho e do pastor, e caiu na boca do lobo. O menino afastou-se do seu grupo e de seus chefes e perdeu-se na mata. A menina afastou-se dos conselhos de sua mãe, mulher sofrida e mais experiente, e acabou enganada e ferida na alma pelo rapaz, que a mãe percebeu que não prestava. Sem alguém que cuide de nós, não dá. Da infância até à velhice é impossível sobreviver sem alguém que nos ajude, sobretudo quando as forças faltam. São raríssimos os seres humanos que sobreviveram sozinhos e sem gente que os amasse.

O contrário acontece todos os dias. Crianças caem no crime ou são usadas por falta de quem cuide delas. Jovens se desencaminham por errarem na escolha dos companheiros. Fiéis aderem a pregadores errados e religiões erradas e se fanatizam. Violência, roubo, corrupção, sexo errado, palavras erradas, atitudes erradas, lugar errado, crenças erradas, convicções erradas, namoros errados, casamentos errados, companhias erradas, decisões erradas, escolhas erradas. 

QUE MINHA PRECE NÃO SEJA VAIDOSA

Que minha prece não seja vaidosa - Pe. Zezinho, scj

Que minha prece não seja vaidosa - Pe. Zezinho, scj

Já tive e vejo que ainda me assalta esta mania de achar que Te conheço e que sou mais religioso do que os outros. És Deus e sabes o que me vai na alma. Seria tolo se dissesse que sou mais religioso que os demais que oram na minha e nas outras igrejas. Não sou e não sei. Talvez saiba um pouco mais do que alguns, mas o que sei não me autoriza a dizer que oro direito.

Já sofri e de vez em quando ainda sofro da tentação de achar que me escolheste mais do que aos outros e que te conheço mais do que os outros te conhecem. Afinal, estudei mais do que eles!... Ledo engano! Há irmãos que estudaram pouco e oravam e oram melhor do que eu. Minha mãe e meu pai, por exemplo...

Por isso, prossigo pedindo a humildade de entender que sou como casa cheia de cortinas. Às vezes deixo a luz entrar; às vezes me fecho e me escureço. 

ATEÍSMO

Ateísmo - Catecismo da Igreja Católica (2123-2126)

Ateísmo – Catecismo da Igreja Católica (2123-2126)

Muitos dos nossos contemporâneos não percebem esta íntima e vital ligação a Deus, ou até a rejeitam explicitamente; de tal maneira que o ateísmo deve ser considerado um dos fatos mais graves do tempo atual. (CIC-2123)

A palavra ateísmo abrange fenômenos muito diversos. Uma forma frequente dele é o materialismo prático, que limita as suas necessidades e ambições ao espaço e ao tempo. O humanismo ateu julga falsamente que o homem é para si mesmo o seu próprio fim, o único artífice e demiurgo (o Deus Criador) da sua própria história. Outra forma do ateísmo contemporâneo é a que espera a libertação do homem exclusivamente através duma libertação econômica e social, à qual a religião, por sua mesma natureza, se oporia, na medida em que, dando ao homem a esperança duma enganosa vida futura, o afasta da construção da cidade terrena. (CIC-2124)


Na medida em que nega ou rejeita a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião. A imputabilidade desta falta pode ser largamente diminuída, atendendo às intenções e às circunstâncias. Na gênese e difusão do ateísmo, os crentes podem ter tido parte não pequena, na medida em que, pela negligência na educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social, se pode dizer que mais esconderam do que revelaram o autêntico rosto de Deus e da religião. (CIC-2125)

Muitas vezes, o ateísmo funda-se num falso conceito da autonomia humana, levado até à recusa de qualquer dependência em relação a Deus. No entanto, o reconhecimento de Deus de modo nenhum se opõe à dignidade do homem, uma vez que esta se funda e se realiza no próprio Deus. A Igreja sabe que a sua mensagem está de acordo com os desejos mais profundos do coração humano. (CIC-2126)

CANONIZAÇÃO

Canonização

Canonização

O processo para a Canonização de um santo é longo e minucioso, vejamos a seguir os quatro passos para uma pessoa ser proclamada santo.

1º Servo de Deus:
·         No principio apenas o Papa poderia iniciar uma causa de canonização, atualmente são os Bispos que cumprem essa tarefa. Para tanto é escolhido um “postulador”, que será a pessoa indicada pelo Bispo como responsável pela causa do santo e que terá a missão de investigar com profundidade a vida do (a) postulante.
·         A partir do momento em que é oficialmente aberto o processo de canonização o postulante ou a postulante passa a ser considerado(a), Servo(a) de Deus.

ADORAÇÃO À CRUZ

Solene Adoração da Santa Cruz - Semana Santa

Pode-se adorar a santa cruz?

Sempre me deixou impressionado as palavras que a Liturgia da sexta-feira santa usa ao referir-se ao culto à Cruz: “Solene Adoração da Santa Cruz”, deixando inclusive a possibilidade de dobrar o joelho diante dela. Penso que essas palavras calaram no coração de mais de um cristão deixando-o pensativo. A reflexão teológica que segue é – aceitando com alegria e admiração o que a Igreja em sua liturgia nos traz – uma tentativa de entender melhor a fé expressada na oração da Igreja, e espero não confundir mais a cabeça do leitor. Pode-se adorar a Cruz? Em que sentido? Parece-me ver uma explicação bastante satisfatória numas palavras de um teólogo muito recomendado pela mesma Igreja. 

Santo Tomás de Aquino estuda a “Adoração” na terceira parte da Suma de Teologia, na questão 25. Vamos segui-lo passo a passo. Ao chegar no quarto artigo dessa questão encontramo-nos com uma excelente definição de Adoração, tal como é entendido no sentido comum atual. Santo Tomás diz que adoração é colocar nossa esperança de salvação em alguém. A Deus damos adoração por que é o nosso Criador, daí que a adoração só se deve dar ao Deus Uno e Trino, esse é um principio claro que devemos ter conosco durante todo esse estudo: só a Deus se deve a adoração, porque Ele é o nosso Criador, nós somos suas criaturas, e nEle pomos nossa esperança de salvação. Salvadas essas preliminares, vamos à nossa questão. Procurarei fazer acessível o pensamento de Santo Tomás sabendo que não é tarefa fácil. É preciso fazer esse estudo com muita concentração. 

domingo, 27 de abril de 2014

ECUMENISMO

Ecumenismo

Recentemente o papa Bento XVl falou novamentesobre a importância do ecumenismo. Infelizmente esta palavra é mal entendida por muitas pessoas. Há pessoas que confundem a palavra ecumenismo com as palavras “Diálogo inter-religioso” e a palavra “unidade” com “uniformidade”. Podemos começar com uma definição de ecumenismo: “é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os católicos, os ortodoxos, os evangélicos e os habitualmente chamados protestantes”. Ecumenismo é a vontade de Jesus “… que todos sejam um, como tu, Pai, estais em mim e eu em Ti; que também eles estejam em nós, a fim do que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21). Jesus, então, não quer seus discípulos divididos por doutrinas e estruturas religiosas. Estas são formas de compreender o Evangelho, e as diferenças entre elas não precisam dividir os cristãos. Cada Igreja deve contribuir para a comunhão do Povo de Deus cultivando o respeito, a acolhida e o amor mútuo entre todos os fiéis em Cristo. O “Diálogo Inter-religioso” é um inter-relacionamento respeitoso com grupos religiosos não-cristãos. Unidade não significa uniformidade. Podemos ser diferentes dentro de certos limites que é uma coisa muita enriquecedora. O ecumenismo é fundamentado em muitos textos bíblicos, como por exemplo: Jo 10, 30; Ez 36, 24-28; 1 Cor 5, 19; At 2, 42-47; Gl 3, 28; 1 Cor 12,3; 1Tm 2,5; Jo 13.35; Jo 11,52; Mt 5, 21ss; e Jo 17, 21 etc. Para os católicos o ecumenismo é fundamentado nos seguintes documentos: O Concílio Ecumênico Vaticano ll (cf. Lumen Gentium e Unitatis Redintegratio); o Documento de Puebla; o Documento de Santo Domingo; o Documento de Aparecida; a Exortação Pós-Sinodal “Ecclesia in África” de João Paulo ll; a Carta Apostólica “Salvifici Doloris” de João Paulo ll e a Carta Encíclica “Ut Unum Sint” também do Jo]ao Paulo II

CANONIZAÇAO DOS PAPAS JOAO PAULO II E JOÃO XIII

João Paulo II e João XXIII se tornam santos

Canonização foi celebrada pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro.
Papa Bento XVI também participou da cerimônia presenciada por milhares.

Do G1, em São Paulo
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Uma cerimônia inédita realizada neste domingo (27) na Praça de São Pedro, no Vaticano, e acompanhada por milhares de fiéis católicos, canonizou dois Papas: o polonês João Paulo II e o italiano João XXIII.
"Declaramos e definimos como santos os beatos João XXIII e João Paulo II e os inscrevemos no Catálogo dos Santos, e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os Santos", foi a fórmula pronunciada em latim pelo Papa Francisco, após a qual a multidão na praça rompeu em aplausos.
A canonização dupla reuniu, em um único evento, o atual Papa Francisco e o Papa Emérito Bento XVI, que renunciou no ano passado em uma situação inédita na história moderna da Igreja Católica.
Francisco concelebrou missa solene com cinco prelados, entre eles o bispo de Bergamo (cidade natal do italiano João XXIII), Francesco Beschi, e o ex-secretário particular do Papa João Paulo II e arcebispo de Cracóvia, Stanislaw Dziwisz.
O Papa Francisco, à direita, cumprimenta seu predecessor, o Papa Emérito Bento XVI, durante a cerimônia de canonização de João XXIII e João Paulo II, neste domino (27), no Vaticano (Foto: L'Osservatore Romano/AP)O Papa Francisco, à direita, cumprimenta seu predecessor, o Papa Emérito Bento XVI, durante a cerimônia de canonização de João XXIII e João Paulo II, neste domino (27), no Vaticano (Foto: L'Osservatore Romano/AP)
"Estes foram dois homens de coragem ... e deram testemunho diante da Igreja e do mundo da bondade e misericórdia de Deus", disse Francisco. "Eles viveram os trágicos acontecimentos do século XX, mas não foram oprimidos por eles. Para eles, Deus era mais poderoso, a fé era mais poderosa."
As relíquias dos dois novos santos, uma ampola de sangue de João Paulo II e um pedaço de pele de João XXIII extraída durante sua exumação no ano 2000, foram colocadas ao lado do altar.
A costarriquenha Floribeth Mora, cuja cura inexplicável permitiu elevar aos altares João Paulo II, levou a relíquia do Papa polonês, enquanto a de João XXIII foi entregue por seu sobrinho.
A cerimônia de canonização teve os mesmos moldes de uma missa e foi simples, sóbria e sem extravagâncias, segundo o Vaticano.
Bento XVI seguiu a cerimônia no setor esquerdo do altar, junto com os cardeais e os 1.000 bispos que concelebraram sucessivamente a missa.
Em 2011, a beatificação de João Paulo II, feita por Bento XVI, durou três dias e custou cerca de US$ 1,65 milhão, reunindo 1,5 milhão de fiéis na praça e nos seus arredores, segundo a polícia de Roma.
O Vaticano, citando fontes da polícia italiana, estimou que cerca de 800 mil pessoas participaram da celebração.
Segundo a Santa Sé, 500 mil pessoas lotaram a praça e sua via de acesso, a Via da Conciliação, e 300 mil seguiram o evento diante dos 17 telões instalados em diversos locais em Roma.
Os poloneses - conterrâneos de João Paulo II-, foram os estrangeiros mais numerosos presentes.
Trens especiais foram colocados em circulação para a viagem desde a Polônia.
A cerimônia do lado de fora da Basílica de São Pedro permitiu que mais pessoas participassem do evento.
Bandeiras de vários países, inclusive o Brasil, podiam ser vistas na multidão.
A praça foi enfeitada com 30 mil rosas vermelhas, amarelas e brancas doadas pelo Equador, cujo presidente, Rafael Correa, estava presente na cerimônia.
Telões foram espalhados na Praça e pela cidade de Roma, que  teve esquema especial de trânsito para a celebração, com bloqueio de ruas e reforço nos transportes públicos.
Após a cerimônia, Francisco percorreu a praça no Papamóvel, cumprimentando os fiéis. Antes, ele levou cerca de 40 minutos para cumprimentar os integrantes das 93 delegações internacionais que compareceram à festa.
Papa emérito Bento XVI também participou da cerimônia. (Foto: Filippo Monteforte / AFP Photo)Papa emérito Bento XVI também participou da cerimônia. (Foto: Filippo Monteforte / AFP Photo)
Bispos esperam pela missa de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, na Praça São Pedro, no Vaticano. (Foto: Andreas Solaro / AFP Photo)Bispos esperam pela missa de canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, na Praça São Pedro, no Vaticano. (Foto: Andreas Solaro / AFP Photo)
Vigília
A celebração dos novos santos começou na noite de sábado (26), com a “noite branca de oração”. Diversas igrejas no centro de Roma foram abertas para aqueles que quiserem rezar e se confessar.
A Basílica de São Pedro ficará aberta em um esquema especial, até 1h desta segunda-feira (28). Os peregrinos podem visitar o túmulo dos dois Papas, no subsolo da igreja.
Caminhos que se entrelaçam
O fato de que dois homens que são amplamente vistos como faces contrastantes da Igreja estejam sendo canonizados contribui para a importância de um evento que o papa Francisco espera que irá aproximar os 1,2 bilhão de católicos no mundo, depois de uma série de escândalos financeiros e sexuais.
Apesar das diferenças, os dois Papas santos têm caminhos que se entrelaçam. João Paulo II, por exemplo, se encarregou de decretar as "virtudes heroicas" e a beatificação de João XXIII.
Juntos, os dois simbolizam a abertura para o mundo e a confiança de ser católico.
Ambos os pontífices, cuja bondade e carisma fizeram com que após a morte fossem solicitadas suas beatificações por aclamação, atravessaram nos últimos anos um complexo processo de canonização, requisito “sine qua non” para se tornar um santo católico.
João Paulo II foi canonizado apenas nove anos após sua morte, em 2005. O segundo milagre atribuído ao polonês Karol Wojtyla, que nasceu em 1920 e liderou a Igreja Católica entre 1978 e sua morte, foi reconhecido pelo Vaticanox em julho do ano passado.
Já João XXIII, que foi Papa entre 1958 e 1963, foi canonizado com apenas um milagre comprovado.
Críticas
Também houve críticas acerca da rápida canonização de João Paulo II, que morreu apenas nove anos atrás.
Grupos que representam vítimas de abuso sexual por padres católicos também disseram que ele não fez o suficiente para erradicar um escândalo de pedofilia que surgiu no final do seu pontificado e que tem pairado sobre a Igreja desde então.
João Paulo II continuou muitas das reformas de João XXIII, mas apertou o controle central, condenou teólogos renegados e pregou uma linha mais rigorosa sobre questões sociais, como a liberdade sexual.
Um Papa carismático, ele foi criticado por alguns como um rígido conservador, mas a adoração pública que despertou foi mostrada por multidões, cujos gritos de "santo subito!" (santo já) em seu funeral em 2005 foram respondidos com a mais rápida declaração de santidade da história moderna.

Processo
A primeira etapa da canonização é ser reconhecido Servo do Senhor. Para isso, os postuladores da causa apresentam um relatório à Santa Sé, que, após examiná-lo, tem que emitir o decreto “Nihil Obstat”.
Papa João Paulo II visita a cidade de Porto Alegre em 1980 (Foto: Alfredo Rizutti/Estadão Conteúdo)Papa João Paulo II visita a cidade de Porto Alegre em 1980 (Foto: Alfredo Rizutti/Estadão Conteúdo)
Com este decreto, é iniciado oficialmente o processo, e o postulante é nomeado Servo do Senhor.
O processo de João XXIII foi aberto em 1965, dois anos após sua morte, enquanto o do pontífice polonês começou no ano de seu falecimento, em 2005, por desejo expresso de seu sucessor, Bento XVI, que eliminou o requisito canônico de se esperar cinco anos após a morte para o início do trâmite da causa.
A etapa seguinte consiste em reconhecer suas “virtudes heroicas”, um título que os transforma em Veneráveis Servos do Senhor.
Para que isto ocorra, uma comissão jurídica do Vaticano se reúne para estudar a ortodoxia dos textos que publicaram em vida e para analisar os testemunhos de pessoas que os conheceram.
Em seguida, o relator do processo, nomeado pela Congregação para a Causa dos Santos, elabora um documento denominado “Positio”.
Um compêndio dos relatos e dos estudos realizados pela comissão, assim que aprovado pelo pontífice, concede o título de Venerável Servo do Senhor, o segundo passo em direção à santidade.
João XXIII tornou-se Venerável em 1999, mais de três décadas após sua morte, enquanto João Paulo II obteve o título em 2009, quatro anos depois de seu falecimento.
Milagres
Após serem considerados Veneráveis, o passo seguinte é o da beatificação. Ser beato, ou bem-aventurado, significa representar um modelo de vida para a comunidade e, além disso, que essa pessoa tem a capacidade de agir como intermediário entre os cristãos e Deus.
Por esta razão, para alcançar este grau, é imprescindível o testemunho de um milagre que tenha sido realizado graças à intercessão do Venerável.
Foto de 15 de abril de 1963 mostra o Papa João XXIII em sua mesa de trabalho no Vaticano (Foto: Luigi Felici/AP)Foto de 15 de abril de 1963 mostra o Papa João XXIII em sua mesa de trabalho no Vaticano (Foto: Luigi Felici/AP)
Ao Papa italiano foi atribuída em 2000 a cura da religiosa italiana Caterina Capitani, que esteve a ponto de morrer por uma perfuração gástrica hemorrágica com fístula externa e peritonite aguda. Ela conta que, após pedir um milagre a João XXIII, conseguiu sobreviver.
Já ao Papa polonês são atribuídas centenas de milagres, embora para sua beatificação, em 2011, tenha sido imprescindível o caso da freira francesa Marie Simon Pierre, que sofria de Parkinson (a mesma doença que João Paulo II tinha) e cuja cura, de acordo com os médicos externos convocados pelo Vaticano, “carece de explicação científica”.
Com estes milagres realizados por intercessão divina dos pontífices tendo sido aprovados, João XXIII e João Paulo II subiram oficialmente aos altares como beatos da Igreja Católica, o primeiro em 2000, e o segundo, em 2011.
Depois disso, ainda é preciso passar por mais uma fase para encerrar o complexo processo.
Trata-se da canonização, sua proclamação como santos, para a qual é requisito imprescindível um novo milagre, que deve ocorrer após sua nomeação como beatos. É aqui onde se dá outra particularidade que caracteriza a causa de João Paulo II e João XXIII.
No caso do italiano, o Papa Francisco, em 2013, decidiu canonizá-lo sem ter sido certificado o  segundo milagre. A decisão do Papa de canonizar João XXIII sem registro de milagre, algo não muito frequente nas últimas décadas, é uma prerrogativa do chefe da Igreja, segundo as normas do Vaticano.
Já João Paulo II, intercedeu, segundo a Igreja, na cura de uma mulher costarriquenha que sofria de um grave aneurisma cerebral e que, segundo os médicos, tinha apenas um mês de vida.
Esta mulher, Floribeth Mora Díaz, que participará da cerimônia deste domingo, garante ter ouvido a voz do papa polonês afirmando: “Levante-se, não tenha medo”, quando estava internada em um hospital. E após ouvir estas palavras, começou seu processo de cura, inexplicável para a ciência.
Mulher passa por posteres e cartões postais com a imagem do Papa João Paulo II em Roma (Foto: Stefano Rellandini/Reuters)Mulher passa por pôsteres e cartões postais com a imagem do Papa João Paulo II em Roma (Foto: Stefano Rellandini/Reuters)